A Justiça acatou parcialmente um pedido liminar do Ministério Público do Piauí (MPPI) e ordenou a indisponibilidade de dois imóveis relacionados à investigação sobre suposto enriquecimento ilícito do prefeito de Prata do Piauí, Acelino Mendes de Moura.
A ação cautelar, promovida pela Promotoria de Justiça de Barro Duro, investiga a evolução patrimonial do gestor entre janeiro de 2021 e 2026, comparando-a com os rendimentos declarados. Nos autos, foi apontado que, nas eleições de 2020, o prefeito declarou não possuir bens, enquanto em 2024 informou ter R$ 29.850,00 e R$ 10.073,80 em conta corrente.
De acordo com o MPPI, a remuneração líquida média mensal do prefeito durante o período foi de R$ 3.700,68, totalizando cerca de R$ 236.843,52. A investigação revelou a existência de imóveis de alto valor, incluindo um residencial avaliado em R$ 960 mil e uma gleba rural de 150 hectares, chamada “Pureza”, avaliada em R$ 345.309,00, ambos registrados em nome de terceiros.
O juiz José Neto, ao analisar o pedido, destacou indícios de evolução patrimonial incompatível com a renda declarada, além do risco de venda dos bens. A soma dos imóveis ultrapassa R$ 1,3 milhão, valor considerado suficiente para garantir eventual ressarcimento ao erário em caso de condenação.
A Justiça rejeitou a indisponibilidade de outros imóveis na área de “Boi Manso”, pois foram adquiridos por herança antes do mandato do prefeito. O pedido de bloqueio de ativos financeiros será analisado posteriormente, e o investigado deverá apresentar contestação, enquanto os proprietários dos imóveis têm 15 dias para se manifestar.