Uma pesquisa de doutorado defendida na Universidade Federal do Piauí (UFPI) destaca a Dimorphandra mollis Benth., conhecida como fava-d’anta, uma árvore nativa do Cerrado e da Caatinga. A fava-d’anta é responsável por cerca de 50% da produção mundial de rutina, um bioflavonoide amplamente utilizado nas indústrias farmacêutica e cosmética.
A tese, intitulada “Caracterização de progênies de Dimorphandra mollis Benth. provenientes do sul do Piauí, Brasil”, foi apresentada por Kennedy de Paiva Porfírio no Programa de Pós-Graduação em Ciências Agrárias da UFPI. O trabalho, orientado pelo professor Antônio Carlos Ferraz Filho, aborda a importância econômica e social da fava-d’anta, que enfrenta riscos devido a ações humanas e erosão genética.
O estudo revela que a produção comercial de rutina ainda depende do extrativismo, sem cultivo estabelecido da espécie. Isso, aliado ao desmatamento, eleva os riscos de perda da diversidade genética, essencial para a adaptação e sobrevivência da planta.
A pesquisa foi dividida em três capítulos, com o primeiro apresentando uma revisão sistemática sobre a fava-d’anta, identificando lacunas no conhecimento científico. O segundo capítulo estimou parâmetros genéticos a partir de sementes de 72 árvores matrizes, enquanto o terceiro avaliou parâmetros morfológicos de germinação em 67 progênies.
Os resultados indicam um controle genético significativo e destacam dez progênies com bom desempenho em altura. Além disso, a pesquisa pioneira no Nordeste sobre a fava-d’anta pode impactar diretamente a produção rural, oferecendo novas perspectivas para os produtores de Mato Grosso, que podem se beneficiar da valorização e conservação dessa espécie.